A vida com 400€

O primeiro mês acabou com uma despesa que eu ainda não tive coragem de contabilizar, mas que eu tenho certeza de que foi muito alta. Quando eu tiver mais tempo e, sobretudo, coragem eu o farei e discutirei aqui. Por ora, tenho outras coisas (boas) para falar.

Ontem me juntei com meu amigo Thiago, carioca que estuda na Unicamp e meu companheiro na Fanfrale, para discutir. Ele teve a oportunidade de morar só em Campinas durante mais de dois anos e tem experiência em gerenciamento doméstico. Uma experiência semelhante à que eu tive na Marinha, mas mais profunda. Resolvemos comprar nossos víveres juntos e tentar comer em casa com mais freqüência. Ontem fizemos nossas compras, após uma extensa pesquisa de preços nos dois supermercados em que costumamos comprar. Fizemos uma refeição lauta e depois colocamos alguns gastos na ponta do lápis (ou melhor, na tela do iPhone dele). Adiante segue um resumo.


Os gastos com a casa

Como já disse aqui outra vez, meu aluguel é 220€ sem a ajuda da CAF e os gastos com água estão inclusos. A conta de energia é uma taxa mensal fixa baseada numa estimativa de consumo e ao fim da locação os locatários podem ser reemborsados ou obrigados a pagar uma diferença. Para o meu apartamento essa taxa é de 55€ e eu divido com o meu coloc. Ou seja, eu tenho um gasto mensal fixo de 245,50€, digamos 250€, até eu conseguir a ajuda da CAF. Guardem esse número por enquanto.


O transporte

O custo de se deslocar em Nantes varia muito. Um tíquete de 1h custa 1,50€ se você comprar na rua ou 0,90€ se você comprar junto ao BDE, na escola. Existem bilhetes de 24h individuais e bilhetes de 24h para quatro pessoas. Antes de pegar o bonde é sempre interessante fazer um pequeno cálculo para descobrir se não é razoável comprar um tíquete um pouco mais completo. Além disso, existem os planos mensais e anuais, os quais fornecem uma carteirinha que dá livre acesso a todo o sistema de transporte da cidade.

E, é claro, é possível viajar ilegalmente. Entretanto, isso nunca foi algo conveniente para mim e espero que para aqueles que venham para cá isso nunca seja considerado como uma opção. Por isso, eu resolvi comprar o plano anual, o que me custou 225€. Aqui vão algumas contas:


Se eu saio duas vezes no fim de semana (lazer) e mais uma vez durante a semana (compras ou problemas a resolver) eu gasto:

6 tíquetes 1h = 5,40€ (no BDE)

Considerando que o ano tem 52 semanas o gasto total é de 280,80€, que é superior aos 225€ do plano anual.


Eu tenho necessidade de pegar o bonde todas as quintas para fazer esporte, pois pratico escalada do outro lado da cidade. Além disso eu saio todos os fins de semanas e geralmente saio mais duas vezes por semana, uma para fazer compras e outra para resolver problemas de burocracia. O plano anual para mim é bem interessante e só o fato de viajar com o espírito tranquilo e sem malandragens já me deixa feliz. Além disso, não vou ter mais gastos com transporte durante um ano.


A comida

Já disse aqui antes que uma refeição no restaurante universitário custa 2,90€. No entanto, o restaurante não funciona no domingo e na noite de sábado. Caso eu fizesse todas as onze refeições semanais possíveis lá o meu gasto seria de 127,60€. Arredondemos para 130€.

A parte mais interessante do cálculo vem agora. Ontem eu e o Thiago fizemos a conta de quanto nossa refeição custou. Exageramos nas quantidades para dar uma margem de segurança. Além disso, a refeição foi bastante farta, embora não tenha havido sobremesa. Custo total individual: 0,72€. Se incluirmos uma fruta como sobremesa (nossa referência foi uma maçã) o valor sobe para 0,80€. Alopremos e digamos que a refeição custe 1,00€. Se comermos todos os dias em casa o nosso gasto seria de 60,00€.

Entretanto, não é sempre possível fazer isso. Há dias em que estamos cansados, ou que não há tempo, ou que temos outro compromissos. Digamos que esses casos totalizem oito por mês. Corrigindo os gastos com comida segundo esse raciocínio: 76,80€. Digamos que seja 80,00€.


O celular

Começo dizendo que realmente queria comprar um iPhone. Mas meu juízo e minha carteira me convenceram de que arcar com os 200€ de custo do aparelho mais os 38€ mensais do plano não são pro meu bico. Pesquisei e decidi que vou comprar um aparelho de 1€ com um plano de 22,90€. Ele me dará direito a 40 minutos de ligação por semana mais SMS ilimitados depois das 17:00. Não é muito, mas resolve meus problemas.


Colocando tudo junto

Se fizermos as contas:


Bolsa: + 430€
Transporte: - 0€
Casa: - 250€
Alimentação: - 80€
Celular: - 23€
___________________
Receita: + 77€ (tá azul! u-hu!)


Evidentemente não vão sobrar 77€. Existem os gastos invisíveis, aqueles que a gente sempre esquece de contabilizar. Tem o cafezinho que eu compro pra aguentar a aula de Análise Numérica, tem o café da manhã, tem a cervejinha do fim de semana, um cinema aqui e acolá. Ainda assim, isso é uma situação razoalvemente confortável. Basta ser disciplinado e é possível não entrar no vermelho. Além disso, eu tenho a sorte de ter uma família que pode me ajudar numa eventualidade, algo que eu espero que não aconteça. Por fim, quando a ajuda da CAF vier eu vou ter uma graninha a mais e vou poder viajar e gastar um dinheiro com coisas pra mim.


O índice BMSL

Devo confessar que eu me empolgo muito com esse tipo de coisas. Fazer o planejamento doméstico, ver o dinheiro render, fazer boas compras... Nisso eu me identifico bastante com o Thiago e nós temos umas discussões bastante interessantes a respeito. Surgem idéias de planilhas e mais planilhas, planos de gastos e mil outras coisas. Ontem soltei meio de brincadeira a idéia de fazer um índice de inflação com os produtos que a gente compra. Rimos e tal. Mas agora estou levando a história a sério. Estou disposto a criar o índice mensal de inflação Bezerra Modolo Santana Leal e disponibilizar aqui.

Hoje escrevi os produtos que nós temos que comprar sempre. Devo lembrar que sempre fazemos nossas escolhas baseadas no preço por unidade de massa ou volume e procuramos sempre o produto mais barato, salvo quando a qualidade baixa torna inviável o consumo, o que é extremamente raro aqui na França. São esses os valores que entram nas nossas pesquisas de preço, não os valores unitários. Aqui vai a lista que eu fiz:

Higiente pessoal:
Pasta de dente
Escova de dente
Fio dental
Lâmina de barbear
Sabonete
Sabonete para as mãos
Shampoo
Condicionador
Desodorante

Produtos de limpeza:
Papel higiênico
Detergente
Esponja
Água sanitária
Sabão em pó
Sabão em barra

Frutas:
Maçã
Laranja
Banana
Ameixa
Pêra
Kiwi
Uva

Carnes e peixes:
Steak
Atum
Mortadela
Salsicha

Legumes e verduras:
Ervilhas
Milho
Cenoura
Espinafre
Batata
Tomate
Cebola
Alho
Alface

Ovolactos:
Ovos
Leite
Queijo
Iogurte
Manteiga

Outros:
Arroz
Massa
Cereal matinal
Geléia
Mel
Nutella
Pão
Molho de tomate

Ainda estou maturando a idéia, pensando em como vou fazer o índice. Espero publicar o primeiro índice dentro de duas semanas, mas não posso dar certeza. Espero também ter disposição para continuar esse trabalho e que isso ajude os outros que virão.

Pornic

Final do outono, algumas árvores de Nantes começam a se pintar de ouro e púrpura. Tudo muito bonito, evidentemente. E tudo frio, e ainda vai piorar. Todas as manhãs aqui são um belo exercício de força de vontade para se levantar no escuro e no frio.

E então no fim de semana alguém dá a idéia: "vamos à praia?". E fomos. Destino: Pornic, uma praia no Pays de la Loire, pertinho de Nantes. Partimos num grupo de cinco pessoas: dois brasileiros, um francês, uma francesa e a russa. Ela é legal quando não tem mil pessoas adulando. Por 2€ a cabeça pegamos o ônibus para Pornic e chegamos em uma hora e meia.

O programa era eminentemente farofeiro e por aqui isso não é problema algum. Paramos em uma padaria e em um supermercado e enchemos uma caixa de papelão com nossos víveres: pão, presunto, queijo, manteiga, patê, alface e tomate. Compramos também uma bola de tênis de 30 cm de diâmetro, a mais apropriada que encontramos para jogar volley. A cidadezinha é pequena e depois de umas fotos na frente da igreja descemos um quarteirão e chegamos na praia.



"E a praia? Como é a praia na França, Angelo"? Eu respondo: é diferente. Tem coisas melhores e tem coisas piores. De vantagem eu conto direto as águas calmas e cristalinas e a paisagem estonteante com direito a muitas árvores e construções antigas.





As desvantagens: água fria e pessoas feias seminuas. A água não era absurdamente fria, mas era preciso um bom tempo para se acostumar. Além disso, nadar era bem difícil: por algum motivo a temperatura me atrapalhava na hora de respirar. Ainda assim nadei até uma bandeirinha até longe e voltei, aos trancos e barrancos, mas voltei.

Depois de algum tempo a fome bateu. Fizemos a nossa refeição mega-improvisada e o gosto estava sensacional. E com a comida veio o sono, a preguiça... Resolvemos fazer uma pequena sesta e ao acordarmos descobrimos que o sol aqui também queima, menos que no Brasil, mas queima.

Após algumas horas, arrumamos as coisas e voltamos para Nantes. Pegamos um mega engarrafamento e para nos distrairmos aprendemos alguns trava-línguas em russo. Saldo do passeio: nove horas numa praia muito legal e a certeza de que eu quero voltar lá outras vezes.

Visita de Nantes: estilo BDA

Tarde de sábado, período naturalmente consagrado para fazer compras para a casa e outros e dar conta de alguns afazeres domésticos. Havia uma visita de Nantes organizada pelo BDA agendada que não me interessava muito, pois já havia batido bastante perna pela cidade.

Cá estava eu, na minha humilde e desconfortável caminha, tentando recuperar as horas de sono perdido quando uma sirene começa a tocar no corredor. Gritos, alertas e um louco (do BDA, é claro) chamando pelo megafone todos os residentes para a visita de Nantes. Vá lá, depois dessa eu não dormiria mesmo, resolvi dar o braço a torcer.

A visita era na verdade uma gincana. Os EI1 deveriam formar equipes e cada equipe deveria seguir um itinerário, revelado aos poucos à medida em que íamos resolvendo charadas e encontrando pistas pela cidade. Além disso, cada equipe devia levar consigo uma máquina fotográfica para tirar fotos dos lugares e provar que de fato esteve lá e também para tirar fotos originais e divertidas, que seriam objeto de uma competição. Outra parte da gincana era procurar e trazer os objetos mais engraçados e interessantes encontrados no caminho, infelizmente minha equipe desconhecia essa parte da brincadeira e não trouxemos nada. Cada equipe deveria também ter uma deficiência, algo para atrapalhar o deslocamento. A nossa era carregar doze garrafas de água mineral de 1,5l cada sem que pudéssemos beber. Outra equipes deveriam usar saias ou rabos de rato.

Heis uma foto da nossa equipe. Havia cinco nacionalidades distintas: francesa, brasileira, russa, japonesa e húngara.



Cada equipe recebeu dois envelopes e o primeiro deveria ser aberto imediatamente. Nele havia o primeiro destino da aventura. A carta era assinada por Phileas Fogg, o próprio, e ele rogava insistentemente que cumpríssemos o percurso em menos de cinco horas, uma vez que ele havia apostado uma quantia considerável em nossa vitória. Cada equipe tinha destinos iniciais diferentes e o nosso foi a Catedral. Situada no centro da cidade e destacada por sua altura e arquitetura, a Cathédrale Saint-Pierre-et-Saint-Paul é um dos pontos turísticos mais conhecidos de Nantes.

Lá chegando, abrimos o segundo envelope, também "enviado" por Phileas Fogg. O segundo destino era o atelié do grupo Machines de l'Île, um grupo de teatro de rua que utiliza marionetes gigantes em suas atrações e é extremamente reconhecido por aqui. O seu ateliê é um dos pontos turísticos mais visitados de Nantes, se não o mais visitado, e lá é possível pagar para dar uma volta no mais conhecido dos seus marionetes, o elefante. Lá encontramos alguns membros do BDA, que nos fizeram dançar uma coreografia ridícula antes de nos dar o terceiro envelope, sempre assinado pelo astuto Fogg, e que deveria ser aberto apenas no terceiro ponto. E o tal ponto onde nós deveríamos ir era lugar redondo e com uma fonte...





Redondo e com uma fonte? "Place royale!" eu gritei de imediato. A praça é o coração da cidade e é um dos lugares que eu visitei pelas minhas andanças na primeira semana. A praça é circundada de prédios e no seu centro há uma fonte com estátuas, algo bem clássico. Chegamos lá e nos deparamos com outras equipes tomando banho na fonte e tirando fotos. Era uma parada dura de vencer e eu e outro brasileiro resolvemos fazer algo um pouco mais louco para render uma foto melhor. Tiramos uma foto "bebendo" a água que saia de uma das estátuas. De fato a água só entrava na nossa boca, mas não engulíamos.

Com metade das calças molhadas e boa parte da camisa também eu acompanhei o meu grupo até o ponto seguinte. Tivemos que perguntar para outros grupos, pois nossa chefe perdera a terceira carta enquanto íamos para a praça. A pista agora era difícil: devíamos achar um pub irlandês no centro da cidade. Existem centenas de lugares para beber por aqui e um pub irlandês é apenas mais um deles, mas encontramos. Lá, a atendente nos deu um pacotinho de biscoitos LU. Isso quer dizer Lieu Unique (Lugar Único), uma tradicional fábrica de biscoitos de Nantes.

E lá fomos. A antiga fábrica não funciona mais, virou algo entre museu e casa de espetáculos. A sua arquitetura se destaca, sobretudo pela torre na fachada. Havia membros do BDA por lá organizando uma competição. O objetivo era dar três biscoitos LU para cada representante de equipe e ver quem conseguia comer mais rápido. Fui o representante da minha equipe e venci o duelo com outra equipe. Foi muito fácil para quem é acostumado a comer quatro Creams Crackers de uma só vez (valeu, Franklin e nossas partidas de Burro!). Próxima parada: Chatêu des Ducs de Bretagne.







As coisas no castelo foram bem rápidas, logo sabíamos para onde deveríamos ir. Apesar de o castelo ser um dos pontos que eu visitei na minha primeira semana em Nantes, é sempre muito surpreendente ver uma construção do tipo bem no centro de uma cidade. Pegamos a carta na livraria/loja de bugingangas do castelo e Phileas Fogg avisava que iríamos para a última etapa da nossa jornada: o Museu de Belas Artes.

A essa altura já estávamos bem cansados e não havia muita disposição para visitar o museu. Tiramos a foto comprobatória e seguimos para a Escola, com uma parada rápida para tirar fotos toscas e se molhar mais um pouquinho.



Entregamos nossas fotos pros caras do BDA para que eles pudessem julgar e decidir quem era a melhor equipe. Houve prêmios em várias categorias: imbecil, melhor foto, trash, petit LU, prêmio geral e outras que eu não entendi. Nossa equipe ganhou o terceiro lugar na categoria trash pela foto em que bebíamos água na fonte e o primeiro lugar na categoria petit LU, concedida para a equipe cujo representante comesse mais rápido os biscoitos (valeu, Franklin!!!).

Para resumir, o nosso itinerário foi:



B) Catedral
C) Elefante
D) Place Royale
E) O pub irlandês
F) Lieu Unique (LU)
G) Chatêu des Ducs de Bretagne
H) Musée de Beaux Arts

Répas fillot-parrain

Em português : refeição entre afilhado e padrinho. Outra tradição muito legal. Trata-se de uma troca de gentilezas: primeiramente o padrinho convida seu(s) afilhado(s) para um jantar no seu apartamento e os afilhados retribuem oferecendo um jantar em suas casas em outro dia. A primeira parte do evento foi hoje e novamente fui para a casa do meu padrinho.

Lembrem-se que os alunos do segundo ano raramente alugam apartamentos sozinhos, então o jantar inclui afilhados de várias pessoas e, voilá, outra oportunidade de fazer amigos e se integrar. E de fato foi o que ocorreu. Eu já conhecia alguns dos afilhados dos colocs do meu padrinho, mas os outros EI1 presentes eu não conhecia. Infelizmente meu co-fillot, o outro afilhado do meu padrinho, não estava presente porque foi para Bordeaux encontrar a namorada. Segue a foto do grupo:



O menu foi bem interessante. Para beber: cerveja, limonada, curaçao blue, pastis e suco de laranja. O jantar foi mexicano: nachos com guacamole como entrada e tacos como prato principal. O jantar foi ótimo, muita gente legal, música (na caixa e ao vivo) e conversa animada. De estrangeiros havia um EI2 alemão e eu e um chinês de EI1. Dois dos veteranos faziam parte da equipe que montou as duplas de padrinhos e afilhados e eles nos contaram que um programa de computador foi usado para formar as duplas baseando-se nos dados que constavam nas fichas. Além disso, a namorada do meu padrinho fez um estágio na Bahia como voluntária em obras de saneamento rural e fala português razoavelmente bem e deu pra bater um papo bem legal.

Para finalizar uma foto minha com meu parrain Jean-Baptiste e o famoso rato vesgo.

Appartathlon

Mais uma tradição da Escola, e mais uma vez algo extremamente criativo. O nome pode não parecer muito evidente, mas é a fusão de appartement e marathon. A idéia é a seguinte: os EI1 devem formar grupos e percorrer a cidade para visitar os veteranos em seus apartamentos. Uma peculiaridade daqui é que não há vagas na residência no segundo ano, então forçosamente os alunos alugam apartamentos pela cidade, sobretudo no centro.

Na noite de ontem os grupos receberam as cartas. Uma delas era uma lista com uma série de apartamentos de veteranos, o "nome" do apartamento, os (apelidos dos) colocatários e o endereço. A outra carta era um mapa feito no Google Maps para que pudéssemos localizar os apartamentos no labirinto de ruas que é Nantes fora dos eixos de circulação do bonde. Cada grupo tinha uma lista de prioridades: uma série de dois ou três apartamentos escolhidos aleatoriamente e que deveriam ser visitados. Após cumprir essa etapa cada grupo era livre para ir onde quiser. Evidentemente, houve grupos que se considerou livre antes de cumprir a imposição da lista. Eu resolvi me integrar a um grupo que queria seguir o itinerário e ver aonde o acaso nos levaria.

Visitamos cinco apartamentos ontem. Visitas rápidas, evidentemente, uma vez que a maratona começou às 20:00 e o último bonde passa às 00:30. No entanto, deu para conhecer bastante gente. O nome "maratona" é bastante válido. Nantes tem apenas um arranha-céu, um prédio comercial. Todos os outros prédios têm menos do que cinco andares e raramente têm elevador, dessa forma os aluguéis mais baratos são os dos apartamentos do alto. Dentre todos os apartamentos visitados apenas um não era no último andar. Haja perna!

Voltando à maratona: não me lembro o nome de todos os veteranos que visitei e nem seria importante citar aqui. O que eu acho mais interessante é que o segundo apartamento da lista era o apartamento do meu padrinho e a visita foi muito legal. Todos os colocatários eram muito gente fina. O nome do apê era "Coloc's Copie". O nome tem uma justificativa: eles transformaram uma das salas de banho numa câmara escura. Lá dentro havia uma fotocopiadora e cada visitante deveria copiar uma parte do corpo e colar na parede da sala. Eles disponibilizaram uma caneta hidrográfica para desenhar algo na parte copiada caso o visitante quisesse. Nem preciso dizer que a parede estava repleta de bundas. Havia também uns poucos seios (com sutiãs e pouco nítidos), dois ou três rostos e um pé. Eu copiei meu peito junto com meu pingente (um apito feito de osso e com pirogravuras muito interessantes). Desenhei uma bandeira do Brasil também, mas na cópia só saiu meu pingente e um fundo preto.

É incrível como a Escola é plena de tradições para integrar os alunos, sejam dentro de suas turmas ou entre elas. Incrível como uma escola com relativamente poucos alunos (em torno de 1000 na gradação) tem tantas tradições, clubes e associações interessantes. É algo que na UFC, com suas dezenas de milhares de alunos, existe muito timidamente. Outra coisa que também é interessante lembrar: o aqui trote é crime e é severamente punido. Os veteranos são sempre super-receptivos e nada aqui me faz lembrar as irracionalidades às quais eu fui submetido na Marinha.