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Irmãos Landreau

Fatos:

1) Nantes é a capital não oficial da Bretanha.
2) A Bretanha é uma região francesa cujo povo tem origens celtas.
3) É a bilhonésima vez que eu falo isso.

Postas assertivas anteriores, não chega a ser surpreendente que Nantes tenha servido como palco para o festival Celtomania, que aconteceu durante as férias de Toussaints há longíquas duas semanas atrás quando o autor deste blog era mais assíduo. O festival consistia em diversas manifestações culturais da cultura bretã, o que incluía cluinária, dança e música.

Após voltar de Florença recebi um email com a feliz notícia de que o meu camarada e ex-companheiro de banda (Os Musgos) Décio viria me visitar nos três últimos dias das férias. Infelizmente estava lotado de trabalhos e não fui um bom cicerone, mas o convidei para assistir uma apresentação musical do festival que havia sido noticiada no jornal.

O que mais me chamou atenção na verdade foi o intrumento utilizado , posto que eu não conhecia os músicos: um Chapman Stick. Eu já o conhecia há algum tempo, mas nunca havia tido a oportunidade de ver uma apresentação ao vivo. O instrumento é, de maneira bastante simplificada, uma mescla de baixo e guitarra tocado de maneira semelhante a um teclado ou piano. As cordas são percurtidas pelos dedos sobre o braço do instrumento e uma mão é utilizada para fazer a melodia e a outra para fazer o acompanhamento. Não vou entrar em tecnicimos, pois eu posso passar muito, muito tempo falando disso e vou ser efadonho.

Ok, mas o instrumento não toca sozinho, correto? De fato, não toca. E o homem por trás da máquina era Youenn Landreau. Músico reputado como um dos mestres europeus do instrumento e respeitado no cenário do jazz.


Youenn estava acompanhado de seu irmão Fanch, que toca violino. Embora toque muito bem as músicas tradicionais próprias do seu instrumento, ele é conhecido pelas músicas de origem celta e por tocar o fiddle irlandês, que é um outro tipo de instrumento.


A apresentação ocorreu numa das mediatecas de Nantes, bem próximo aqui de casa. O lugar era um auditório pequeno e eu descobri no momento em que cheguei que o show serviria como abertura de uma exposição sobre o Chapman Stick, pois as paredes estavam cheias de cartazes e havia dois instrumentos expostos.

Não havia mais cadeiras, então terminamos sentando no chão. Um preço nada caro para assistir à apresentação que se seguiu. Os irmãos Landreu tocaram predominantemente um repertório calcado na música celta, mas houve espaço para o jazz e outros gêneros. Em um intervalo da apresentação, Youenn discorreu sobre o instrumento, sua história, sua construção, suas técnicas e os músicos que o dominam. Ele resolveu fazer variações sobre uma música para demonstrar as diferentes técnicas que podem ser utilizadas no instrumento. A música: Wave de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Fantástico.

Ao fim da apresentação, uma pequena refeição com doces bretões, sucos industrializados e Breizh Cola, a versão bretã da Coca-Cola. Uma pequena observação: Breizh é Bretanha em... bretão, claro! Durante esse tempo Youenn conversava com os presentes e foi muito antencioso com todos. Aproveitamos para falar sobre a bossa que ele tocou e nos identificamos como brasileiros . Depois disso ele disse que admira muito a música brasileira (convenhamos: é impossível não admirar a BOA música brasileira) e que ultimamente tem tocado muitas músicas do Djavan. Excelente saber que nossos músicos gozam de boa reputação no exterior.

Florença: agora sim a viagem.

A partida

Partimos na tarde da sexta-feira, após uma manhã de aula que se seguiu à soirée da semana cultural. A viagem foi feita de ônibus e durou vinte horas. Infelizmente, como eu tenho observado ser a regra nas viagens organizadas pela escola, os organizadores têm grande interesse em não nos deixar dormir. Sempre havia algum membro da organização com o microfone na mão desenvolvendo um tema de pourrissage (encheção de saco). Eu não costumo dormir em ônibus e aviões, simplesmente não consigo. Mas a fadiga era extrema e eu consegui dormir durante umas cinco horas da viagem.

O grupo era um pouco heterogêneo. Uma boa quantidade de EI1, sendo eu, um japonês e um marroquino os únicos estrangeiros. O grupo de EI2 era formado basicamente pelos membros do BDE que organizavam a viagem, dos quais um terço eram estrangeiros. Havia outros EI2 que não eram da organização e levaram suas namoradas, que não estudam na escola. Havia também um casal de tunisianos da École du Bois (Escola da Madeira) que souberam da viagem através de um contato na Centrale. O tunisiano tocava violino e em uma das paradas ele nos agraciou com uma sessão rápida composta basicamente de músicas árabes, que têm uma estrutura e uma sonoridade típicas e completamente diferentes da música ocidental. E mais: a maior parte dos instrumentos ocidentais são incapazes de alcançar as notas usadas na música árabe.

Chegamos em Florença (Firenze para os italianos) na manhã de sábado e nos instalamos em um albergue, que eu descobri depois funcionar num prédio que servia como convento. As paredes grossas desse tipo de construção ajudaram no conforto térmico, mas de certa forma nem foram tão úteis, pois o clima estava quente e parecia que o outono tinha esquecido de começar na cidade.

A tarde de sábado

A tarde foi consagrada basicamente a bater perna e conhecer a cidade. Começamos com um passeio na borda do Rio Arno e pela Ponte Vecchio. Passamos brevemente pela Galeria degli Uffizi antes de chegar na Piazza de la Signoria, onde se localiza o Palazzo Vecchio. Na praça entramos num café e tivemos oportunidade de saber o que é um verdadeiro café espresso italiano. Seguimos pelas ruas estreitas e movimentadas da cidade, sempre atulhadas de pedestres, pedintes e vez por outra um carro que forçava passagem entre o mar de gente que ali estava. Muito mais comuns do que os carros são as lambretas, inclusive algumas das clássicas Vespas, e que podem ser vistas em toda a cidade. Passamos por algumas igrejas e chegamos finalmente à Catedral Santa Maria del Fiore, muito mais conhecida como il Duomo. Por fim, voltamos ao albergue passando pelo Palazzo Pitti.


Passamos por esses pontos turísticos várias vezes e agora me furto a falar um pouco mais detalhadamente sobre cada um deles.

A Ponte Vecchio é uma das várias pontes que cruzam o rio, no entanto ela é facilmente distinguível das outras por causa quantidade de lojas que parecem se equilibrar debilmente sobre sua estrutura. Datada da época da Roma antiga, a ponte abriga sobre seu arco central uma estátua. Existe uma tradição que diz que ao colocar um cadeado nas grades ao redor da estátua eterniza-se o elo entre dois amantes. Embora a prática seja proibida e punida com uma multa de 50€ paras os que forem pegos em flagrante, cadeados não faltam no gradeamento.

A Galeria degli Uffizi é um grande prédio em formato de U incialmente projetado para abrigar a sede do poder judiciário da cidade. Ao longo do tempo e sob a égide da família Médici, o palácio passou a abrigar obras de arte, o que deu início à sua vocação atual: museu de obras clássicas renascentistas. Séculos após a sua construção foram adicionadas às colunatas do átrio estátuas de artistas italianos célebres. Visitamos o museu da galeria na tarde de domingo.

O Palazzo Vecchio foi construído incialmente para ser a sede do governo e residência dos governantes. Ao longo dos anos o palácio sofreu sucessivas reformas que descaracterizaram vagamente seu aspecto original, sobretudo a parte posterior. Embora hoje a maior parte do seu espaço abrigue um museu, algumas instâncias governamentais ainda funcionam lá dentro. Na sua frente foi colocada a célebre estátua de Davi esculpida por Michelangelo e que foi substituída por uma cópia dado o seu valor histórico. Visitamos o museu do palácio durante a tarde de sábado.

A Catedral é sem dúvida a atração que mais me aturdiu. É incrível a sensação de ver com os próprios olhos algo que até então só parecia existir nos livros de história. Além disso, as dimensões da catedral são assustadoras e o preciosismos das fachadas; esculpidas em mármore branco, vermelho e verde; são impressionantes. Tanto trabalho demorou seis séculos para ser completamente concluído. Entramos na nave principal apenas na segunda-feira e as naves laterais, juntamente com o altar, estavam interditadas para o público.

O Palazzo Pitti foi comprado pela família Médici para servir de residência aos Duques de Florência. Um dos motivos era que o Palazzo Vecchio não tem jardins e isso incomodava a duquesa. Hoje, além dos estonteantes jardins, o plácio abriga diversos museus. Tivemos a oportunidade de visitar no domingo o Museu da Prata e a Galeria do Traje.

Algumas coisas eu pude observar logo nesse começo da viagem e em geral não foram coisas boas. O Rio Arno é sujo e as margens são bem feias para um rio que tem um valor estético e histórico tão grande. O trânsito em Florença é louco. Os motoristas não respeitam faixa de pedestre e os pedestres invadem a rua. Me senti um pouco no Brasil. A cidade é suja. Não sei se isso se deve aos moradores ou aos turistas, mas não falta lixo no chão nem pichações pela cidade.

Por outro lado, observei uma coisa muito interessante. A cidade é uma Babel e é possível escutar quase todas as grandes línguas européias antes de se andar vinte metros. Eu entendia quase tudo que era dito em inglês, português, espanhol, francês e italiano. E apesar de tudo isso, eu descobri que, assim como aconteceu em relação ao inglês, eu sou agora incapaz de falar italiano. O francês sobrepujou as outras duas línguas na área do meu cérebro dedicada a línguas etrangeiras.



A noite de sábado

Terminamos nosso bate-perna mortos de fome e resolvemos comer uma verdadeira pizza italiana no jantar. Primeira constatação: não existe lugar onde se possa comer bem e barato por lá. Segunda constatação: os italianos são muito mais sacanas que os brasileiros. Dou um conselho para aqueles que espumam de raiva com os 10% de serviço que são cobrados no Brasil: não visitem Florença, ou levem suas marmitas. Além da taxa de serviço, que pode ser fixa ou variar entre 5 e 10%, todos os restaurantes cobram taxas pelo uso das cobertas, ou seja, loouças e talheres. Havia restaurantes que anunciavam taxa zero de cobertas, mas cobravam a taxa de serviço e vice-versa. Para os franceses a experiência foi ainda pior. Na França é possível pedir gratuitamente uma garrafa de água para acompanhar a refeição, enquanto na Itália é preciso comprar água mineral. O problema é que a água mineral deles tem um status quase de vinho. Compramos uma que vinha em garrafa de vidro e que custou quatro euros por 920 ml.

Depois disso fomos visitar os bares da região e tivemos novas decepções. Todos os bares impunham consumação obrigatória e eram super caros. Não foi uma noite particularmente divertida, pois ficamos andando de bar em bar e gastando desnecessariamente.



O dia de domingo

No domingo fomos ao Palácio Pitti. O ingresso para visitar todas as atrações era de 7 euros para estudantes euroupeus e 14 euros para estudantes de outras nacionalidades. Paguei os sete euros na boa e velha estratégia de comprar meia em cinema, que já não funciona mais no Brasil, mas para a qual os europeus não estão ainda preparados.

Visitamos a Galeria do Traje, um museu de roupas, e em seguida fizemos um pequeno passeio pelos jardins do palácio. Foi então que a tragédia aconteceu: após tirar uma foto eu desci um pequeno barranco e não observei que havia um arame estendido próximo ao chão para impedir a passagem. Quando percebi já estava muito perto e com muita velocidade, tropecei e caí com a câmera na mão, objetiva contra o solo. Adeus.

Isso estragou meu humor e, consequentemente, meu dia. Nós visitamos o Museu da Prata, mas confesso que eu tava tão chateado que dei pouca atenção a tudo o que vi por lá. Mais tarde, no entanto, enquanto visitava a Galeria dos Ofícios meu humor já havia melhorado consideravelmente, mas eram minhas pernas que não aguentavam mais tantas escadas e galerias.


A noite de domingo

Bares, bares e bares? Sim, mas não para mim. Meu bolso e minha paciência me imploraram para ficar no albergue. Terminei a noite jogando Tarot, um jogo de carta muito jogado pelos franceses, com dois franceses e suas namoradas. Foi divertido, aprendi algo novo e fiz novos amigos. Além disso, não paguei quatro euros por um copo de gelo com sprite só para garantir um lugar num bar barulhento onde eu não entenderia 20% da conversa.


A manhã e um pedaço da tarde de segunda

Programa light. Andamos um pouco, fomos até a praça Piazzale Michelangelo, um local mais afastado de onde é possível ter uma uma vista panorâmica da cidade de tirar o fôlego.

Em seguida visitamos o interior da Catedral. Gostaria muito de ter subido ao alto da cúpula, mas não subi. Fosse pelo preço ou pela quantidade de escadas a subir. Minhas pernas gritavam à simples menção de um degrau.

Pela tarde visitamos o mercado da cidade, onde encontrei uma lojinha especializada em queijo e embutidos com dois suvenires brasileiros (um chaveiro do Grêmio pendurado num pernil e uma plaquinha do Rio de Janeiro pendurada num grande queijo). Conversei brevemente com os dois vendedores, que eram bastante entusiastas do Brasil. Um deles já havia visistado Natal e Rio de Janeiro e o outro possui um sítio no Ceará. Verdade seja dita, eles não eram propriamente entusiastas da cultura brasileira, mas da bunda das brasileiras, evidentemente. Mantivemos um breve diálogo em "portutiano" e fico feliz que meus camaradas franceses não tenham entendido nada do que eles falaram, pois eles começaram a comparar as diferenças entre a matéria de interesse deles nas francesas e nas brasileiras.

Um deles fez até um teste para verificar minha brasilidade:

- É pau, é pedra...?
- É o fim do caminho!
- É um resto de toco...?
- É um pouco sozinho.
- Brasiliano!!!



O retorno

O retorno foi marcado por mais uma pequena sessão de pourrissage no início, mas depois se acalmou e eu consegui dormir um pouco. Cheguei em casa morto e ainda não dormi e mal comi. Mas a vontade de fazer esse post ainda hoje me fez vir até o computador e escrevê-lo. Saldo? Positivo, é claro!

Rendez-vous de l'Erdre. Que pena que acabou!

E acabou o festival de Jazz e Blues que mais me pareceu um artifício desta cidade para me seduzir. Foram-se as barraquinhas de comida, mas ainda deu tempo de tomar suco de bissap! Foram-se as pessoas da rua, o barulho, a efervescência de uma cidade em festa. Foram-se embora os músicos, todos tarimbadíssimos. Ficam as primeiras impressões e alegria de ter vivenciado tudo isso. E o melhor: ano que vem tem mais, o festival é tradicional!



Aqui vão as bandas as quais tive oportunidade de conhecer e minha impressões sobre cada uma.

Meivelyan Jacquot: Um grupo de jazz tradicional. A apresentação deles foi uma homenagem ao saxofonista Wayne Shorter. As melodias eram bem assobiáveis, tradicionais, agradáveis de ouvir.

Jeff Treguer: Com um repertório mais próximo do swamp blues, o blues mais caipira, o grupo do francês de Finistère(em francês: Fim do mundo, uma região próxima aqui de Nantes) animou a galera. O blues cantado em inglês com sotaque francês é até interessante...

Jean Louis: Segundo o guia do festival "isso é poderoso e explosivo". Não poderia haver definição melhor. O trio é formado por um trumpetista (Jean-Louis), um contrabaixista(contrabaixo acústico) e um baterista. O mais interessante é que tanto o contrabaixista quanto o trumpetista utilizavam processadores de efeitos em seus instrumentos, às vezes chegava a ser psicodélico. E às vezes chegava a ser barulhento também... Não foram raras as vezes em que eu tinha a impressão de que o contrabaixista e o baterista tocavam enquanto Jean-Louis se masturbava musicalmente.

Mac Arnold & Plate full o'blues: O que um veião de 67 anos, um pedaço de pau, três cordas e uma lata de querosene fazem? Um puta dum blues! A apresentação foi simplesmente fantástica. Os americanos da Carolina do Sul (exceto o baterista, que era da Carolina do Norte) interagiram com o público. Para que falar o mesmo idioma se a música já diz tudo?

Houve outras bandas que eu pude ver e muitas delas eu não sei sequer o nome, pois se apresentaram em palcos alternativos e seus nomes não constavam guia. Outras eu vi por pouco tempo e não seria justo emitir juízo de valor.

A única certeza que eu tenho é de que ano que vem estou aqui de novo pra ver.

Jazz, blues, boudin!

A primeira caminhada para conhecer a cidade ocorreu após uma bela noite de sono, umas doze horas pra ser mais exato. Embora Nantes tenha um sistema de transporte público eficientíssimo, cuja espinha dorsal são quatro linhas de bonde, decidi ir a pé. O primeiro motivo é que a pé é possível depreender melhor os vários aspectos da cidade. O segundo é que a cada vez que eu multiplico os preços por três me dá uma dor no coração...

O percurso incluiu um passeio pelo centro da cidade e uma visita rápida ao Chatêau des Ducs de de Bretagne. Além disso, dei uma passada no museu naval Maillée Brézé, que é uma antiga antiga fragata da marinha francesa recomissionada para esse fim.

Durante esse primeiro contato percebi que alguns palcos estavam sendo montados às margens do rio Erdre, afluente do Loire. Havia placos até sobre alguns barcos e mesmo um palco flutuante no centro do rio. Descobri que todo o rebuliço seria para realizar um festival de Jazz e Blues durante a sexta, o sábado e o domingo. E o melhor: de graça. Infelizmente ontem (sexta-feira) cheguei quase no fim, pois tive de resolver algumas coisas. Hoje eu pude assistir a algumas apresentações e foi ótimo.

Ao longo do Erdre estão montadas diversas barraquinhas onde são vendidos todos os tipos de quitutes da região. Ontem, por exemplo, comi chichi, que nada mais e do que os nosso churros com uma porção de nutella (creme de avelãs) para acompanhar. Aliás, quase tudo aqui leva Nutella, o povo gosta bastante disso.

Hoje resolvi fugir um pouco do normal e investir em novas experiências gastronômicas. Um filosofia meio "um dia eu me lasco fazendo isso, mas não tô nem aí". Desde ontem estava de olho em uma banquinha de comida senegalesa e hoje não resisti. Eu e o Márcio, outro cearense aqui em Nantes e que vai iniciar um ano de estudos pelo Braftec, resolvemos encarar a parada. Aqui vai as experiências do dia:

Suco de gengibre (2€): O nome é meio que auto-explicativo, embora não seja comum no Brasil. Conhece aquela sensação de beber Coca-Cola gelada com um Halls preto na boca? Bem, o suco é mais ou menos isso. Imagino que se misturar com Red Bull e catuaba fique um negócio muito doido!

Suco de Bouyie (2€): Agora complicou não é? Resolvemos tomar na cara e na coragem. Sem saber exatamento o que era. Perguntamos para a vendedora do que se tratava esse suco e outro (de bissap). Ela falou algo sobre uma árvore que cresce de cabeça pra baixo e um coco. Como isso não adicionou muita coisa de útil, resolvemos tomar assim mesmo. O suco tem um aspecto leitoso, caramelizado, com um aroma perfumado e um gosto que lembra um pouco o leite de soja. Excelente! Valeu a pena a tentativa. A propósito, esse é o bouye.

Accras (três por 1€): Outra coisa que compramos sem conhecer. Passamos numa banquinha, havia muita gente na fila e entramos também. Descobrimos que a fila era devido ao bom preço dos accras, que pareciam muito populares. Trata-se de um bolinho frito de peixe, uma espécie chamada morue, e é realmente muito gostoso.

Boudin antillais (1€): Esse foi a vedete do dia. Era algo preto, parecido com uma linguiça. Tinha um aspecto meio nojento, parecido com aquilo que largamos no vaso no dia-a-dia, mas resolvemos tentar. Perguntamos como era e falaram que era apimentado. No entanto, não tivemos coragem de perguntar com era feito. De fato o boudin antillais parece uma linguiça na sua forma de confecção, mas o interior é mole, parece uma geléia. Provavelmente é feito de sangue. É realmente apimentado, mas há um gosto doce no fundo, algo como cravo, eu acho. Era gostoso, mas nojento, e a pimenta incomodou um bocado depois.

É isso aí! Enquanto eu não tiver um desarranjo intestinal eu continuo minhas experiências gastronômicas.

Au revoir!